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Andamos distraídos?

Hoje alguém que me é próximo comentava, com grande espanto, que a filha adolescente de uma amiga tinha dito que a quarentena e o sistema de aulas on line tinha sido das coisas melhores que podia ter acontecido.
Tal afirmação não me espantou em nada.
Como profissional da área da família e crianças pude contactar com inúmeros miúdos que melhoraram o rendimento escolar e a situação emocional com a pandemia.
Como mãe, também não fiquei admirada.
Se bem que, este ano, por aqui, ambas tenham sentido muito a falta da escola e do convívio com os amigos, se a pandemia ocorresse em outro ano do passado, não duvido que uma delas teria gostado e muito de não ter que enfrentar o contexto escolar.
Só quem não conhece  de perto uma criança que seja, ou tenha sido, vítima de bullying se espanta com a melhoria de resultados de muitos miúdos nesta época, melhoria que nada está relacionada com uma maior ou menor bonomia dos professores na avaliação.
Há miúdos que apelidamos de desinteressados e preguiçosos que estão num sofrimento horrível por serem alvo de comportamentos abusivos dos seus pares e para quem passar o portão da escola é entrar no inferno. As escolas, de uma forma geral, fecham os olhos e fingem não ver, porque o que interessa são mesmo os rankings e as bandeiras de escolas amigas disto e daquilo. Os pais, muitas vezes, acham que é mimo ou "frescura" (como dizem os nossos irmãos brasileiros) e que têm mais é de aceitarem as brincadeiras de crianças...
Enquanto pais, enquanto pessoas que lidam com crianças com alguns problemas, talvez estas melhorias de desempenho, este aumento de interesse pelas actividades propostas, fora de portas da escola, nos devesse fazer reflectir sobre se realmente olhamos a fundo para a tristeza dissimulada dos nossos meninos, ou andamos distraídos, empenhados em que sejam alunos de quadro de honra, mas profundamente infelizes (vítimas e agressores)!!!




Só sei que nada sei...

Sou encarregada de educação das minhas duas Minis (que, de Minis já vão tendo pouco)...E vai daí que, como uma pessoa sempre atenta aos mails recebidos da escola de cada uma ou das directoras de turma, alguns pais de colegas das minhas filhotas me perguntem algumas coisas sobre a escola.
Pois que acabei por adoptar a velha expressão "Só sei que nada sei" pois é a que melhor traduz como me sinto em relação a este final de ano lectivo e preparação do próximo.
Primeiro recebi uma mensagem a dizer que as avaliações iriam estar disponíveis na plataforma no dia 3 pelas 00 horas. Chegada a hora e as horas seguintes...nada... afinal era só dia 4 da após as 18 horas...
Um certo dia recebi um email a dizer que quem tinha manuais escolares que não tivessem sido adquiridos pelos encarregados de educação, teria de os devolver até dia 30 de Junho. Posteriormente, e após a aprovação da medida de não devolução dos manuais, devido à pandemia, recebi email a dizer que teríamos de devolver os manuais, com prazo alargado, até dia 8. Hoje recebi outro a informar que, afinal, já não era necessário devolver os emails.
A escola de uma delas, enviou email a informar que a matrícula era feita pelo portal das matrículas, site governamental. A outra, estabelecimento de ensino privado, informou que bastaria apenas a renovação no site do colégio com o pagamento de 75 euros. Posteriormente, mais concretamente esta noite, o colégio informou que teríamos de renovar a matrícula como os demais alunos do ensino público, no portal das matrículas. Há pouco, vi nas notícias que o Ministério da Educação dispensou os encarregados de educação dos alunos que se mantêm nos mesmos estabelecimentos de ensino, apenas alterando de ano, de renovarem a matrícula, pois a mesma era automática...
Portanto...só sei que nada sei... nisto e em milhentas coisas... Mas já começo a ficar farta desta volatilidade de opiniões e necessidades do Ministério da Educação.

Tem gente que é abençoada!

47 anos!
Hoje, alguém de quem eu gosto mesmo muito, disse-me que eu ía gostar sempre de fazer anos.
Talvez sim e oxalá que sim.
Sinto-me bem com a minha idade e, sobretudo, feliz por tudo o que a vida me tem dado, por tudo o que Deus me tem dado a oportunidade de aprender.
Não me lembro, em 47 anos, de ter recebido tantos telefonemas de amigos e de pessoas que têm vindo a fazer parte da minha vida.
Dei por mim a reflectir que este foi um dos efeitos destes tempos estranhos que vivemos. Sentimos mais a premência de demonstrar aquilo que os outros significam para nós. Eu senti isso hoje. Os meus amigos não se ficaram pelas felicitações no facebook como antes, fizeram questão de falar, de saber, de sentir.
Recebi mensagens lindas, muito para além do simples "Parabéns" ou "Felicidades".
Perante isto, como posso eu não sentir-me grata?
Gosto muito de ser quem sou (cheia de defeitos e algumas virtudes) e de todos os que fazem parte da minha vida. É indescritível ter a sensação que há alguém que está sempre comigo aconteça o que acontecer e que faz 600 kms só num dia para estar umas horas e dar-me um abraço. Sou mesmo uma abençoada pela vida e por um Deus que nunca me abandona.
Sou abençoada pelas filhas e marido que tenho e pelos amigos que fui fazendo. E tudo começou, neste dia, em 1973, quando nasci de uma mãe e de um pai que me fizeram e educaram com o amor que puderam dar e que me deram o melhor de si.
Sou grata por ter a oportunidade de trabalhar com pessoas maravilhosas e poder fazer a diferênça (para melhor, espero) na vida das crianças que me passam pelas mãos e pelo coração.
Com tudo isto, com tantas coisas boas, só consigo sentir que não há ninguém no mundo com mais sorte que eu.
Como aprendi com MiKao Usui "Só por hoje, agradeço as minhas benção e sou humilde"
Só por hoje, todos os hojes da minha abençoada vida.


Coisas de um aniversário...

Faço anos daqui por uns dias e, à semelhança do que tenho visto alguns amigos fazerem, resolvi criar uma angariação de fundos no Facebook.
Quem me acompanha no dia a dia (ou apenas aqui pelo blogue) sabe que adoro animais e que que os tenho como uns seres sencientes fantásticos.
Apesar disso, decidi que a minha angariação de fundos não ía ser para nenhuma instituição de apoio aos patudos porque existem muitas acções dentro desta onda. Apesar de trabalhar com crianças e perceber que há muito por fazer, decidi procurar instituições que apoiassem idosos.
Pois tive de andar à cata, tipo com lupa, à procura de uma causa que envolvesse idosos. Posso dizer que mais de oitenta por cento das que encontrei destinavam-se a apoiar a causa animal.
Isto deixou-me triste. Não me sentiria assim se as coisas fossem mais ou menos equiparadas...mas não...as causas de pessoas e ou para pessoas são apenas uma parte muito reduzida daquelas para as quais se pode angariar fundos...e para o apoio a idosos, então, é complicado.
Das duas uma: ou as pessoas não estão disponíveis para contribuir para os outros humanos ou as instituições que apoiam os idosos são pouco proactivas na divulgação das suas actividades.

A propósito de todos os Pedros deste mundo...

"A depressão mata sempre. Quando não mata de uma falésia mata a alma, mata as conquistas, mata as relações. Quando a depressão não mata de uma falésia mata de forma igualmente dolorosa: que pior morte é estar morto enquanto se está vivo.!
 Rosário Carmona e Costa




Há anos que nos questionam e anos que respondem...
Li esta frase algures e achei que era mesmo isso...e se passo anos a questionar-me sobre um "monte" de coisas, 2020 foi , ou está a ser, um ano de respostas.
A paragem da quarentena serviu para descobrir em mim e nos que vivem juntinho a mim uma série de sentimentos, perspectivas e formas de estar, que me tornaram mais unida a eles.
Serviu, também, para perceber que não há peste nem guerra que mude a forma de estar de muitos seres humanos.
Vamos ver que mais respostas me vai trazer...

Urge...

Trabalho há anos com a área dos menores e adoro...
Mas se bem que a minha atenção se centre nas crianças e nos comportamentos negligentes e maltratantes de que são vítimas, há muito que luto pelo estabelecimento de entidades que, ao nível as comissões de protecção das crianças, procedam à protecção dos mais idosos.
Não tenho dúvidas que muitos idosos- para além do doloroso abandono a que são votados pelos familiares em pleno vigor da vida - sofrem maus tratos, agressões bárbaras. Algumas acabam por notar-se, quanto mais não seja por acontecerem em público, outras ficam guardadas em dor e lágrimas choradas, encharcando as almofadas.
A agressão de um idoso de 90 anos, transmitida amplamente hoje pelos meios de comunicação social, mais uma vez me deixa nesta premência de fazer alguma coisa.
Fico doente com estas coisas...hoje choro...