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Por-se a jeito...

 Há pouco, apareceu-me nas notícias do Sapo que a namorada (mulher ou qualquer coisa) de um músico português, o Diogo Piçarra, tinha respondido à letra às inúmeras críticas que lhe tinham feito numa determinada rede social (já não me recordo qual) por a mesma não estar a amamentar a filha de ambos.

Primeiro, dei por mim a pensar que aquilo não era assunto para se fazer notícia... mas, depois de me recordar que o jornal da manhã abriu com a notícia da actualidade de que Marta Temido e o Secretário de Estado da Saúde NÃO  tinham covid- 19, como se fosse uma raridade, nos dias de hoje, alguém não ter contraído a doença (quando há pessoas que moram na mesma casa com pessoas infectadas e não contraem a doença), pensei que anda toda a gente muito transtornada e tudo faz uma manchete.

Depois, pensei que as pessoas continuam amargas, sendo que ninguém tem que opinar sobre a vida íntima ou privada dos outros, sobretudo em matérias tão sensíveis como a amamentação.

Mas, a expressão "vida íntima" ressoou na minha cabeça e terminei a pensar que esta gente conhecida ( e muitas outras pessoas anónimas) partilham momentos que deviam ser só seus com uma infinitude e não controlável rede de ilustres desconhecidos com a maior das facilidades e sem qualquer pudor...e, depois não quer ouvir (ou melhor, ler) esses desconhecidos a darem palpites!!! Esta gente, a quem por vezes, só falta partilhar as idas à casa debanho, anda a por-se a jeito! Ai anda, anda! 

Pena que seja preciso morrer!

 Diego Maradona morreu ontem.

Por esse mundo fora foram imensas as manifestações de pesar e grande a consternação dos adeptos mais ferrenhos.

O funeral é já hoje. E já hoje o presidente do Município de Nápoles iniciou o processo legal com vista à substituição da designação do estadío da cidade onde o craque jogou, que deixará de chamar-se estádio de S. Paolo e passará a chamar-se estádio Maradona.

Independentemente do juízo que possamos fazer sobre tal substituição,  o que me choca é a a ideia de que é preciso morrer para que reconheçam o nosso valor em atitudes grandiosas.

Da minha infância recordo o entusiasmo que Maradona suscitava nos mais velhos nas transmissões de jogos de futebol. 

Hoje, lamento que tenha morrido sem poder usufruir de homenagens que, agora, não lhe dão qualquer consolo.

Nisso, os madeirenses foram mais lestos. Em plena carreira e juventude de Cristiano Ronaldo, não hesitaram em dar-lhe o nome do aeorporto que serve a ilha.



Viva a escola!!!

O primeiro confinamento teve, na minha perspectiva, muitas coisas positivas a nível da compreensão de nós mesmos. Cá por casa, conheci partes das minhas filhas que, se calhar, na azáfama dos dias, ainda não tinha tido tempo de reparar e penso que elas sentiram o mesmo em relação a nós.

Mas, entre as coisas que mais me marcaram está a percepção que elas tiveram do quão maravilhosa é a escola presencial e que nenhum ecrã substitui a presença em sala de aula do professor e dos amigos e no recreio destes últimos.

A informática e todas as plataformas de internet tornaram os dias de separação física muito mais fáceis, sem dúvida. Mas a obrigatoriedade da separação física tornaram evidente que a escola física, enquanto local de muitas aprendizagens - quer mais académicas quer mais humanas/pessoais - não poderá ser nunca substituída.

Nunca tinha ouvido as minhas filhas reclamarem tanto por voltarem à escola.

Daí que me tenha regozijado imenso com o alerta da OMS no sentido de que as escolas só devem ser fechadas em último caso, já que o seu papel imenso na manutenção da saúde mental das nossas crianças é fundamental.

Viva a escola! 

Por enquanto ainda sou mais forte!

 Penso que já tinha referido aqui que andava com imensas dificuldades em gerir a aproximação do Natal, porque, graças a esta maldita coisa chamada COVID 19, perspectivava a possibilidade de passar esta altura do ano que tanto amo sem ter os meus pais por perto.

Tinha dito às miúdas que não iria fazer decorações de Natal.

No entanto, dei por mim a pensar que essa atitude não só não me trazia felicidade nenhuma, como ainda poderia deixar mais tristes as miúdas e o meu marido.

E, vai daí que, devagar, resolvi começar a enfeitar a casa e a assumir que o Natal se aproxima... e que o importante é que estejamos todos bem... e que se for preciso passar juntos a consoada via Skype, assim o será.

A capacidade de adaptação e de não me deixar ficar prostrada na dor é algo de que me orgulho e que pretendo manter até ao limite. Para meu bem e, acima de tudo, dos que me rodeiam.


E hoje é isto...

 Num destes dias, li, algures, uma frase que dizia mais ou menos isto: não há pior tristeza que fingir a felicidade.

Eu sou, por norma, uma pessoa feliz, tranquila, de bem com a vida. Tornei-me uma pessoa grata e isso mudou toda a minha perspectiva da vida.

Mas sou também uma pessoa que gosta de pessoas e de estar com pessoas.

De modo que hoje sinto-me particularmente triste e não fingirei felicidade. Sinto a falta dos abraços, dos cheiros, do calor dos sorrisos daqueles que amo. Estou cansada de abraços virtuais e de ver o sorriso e ouvir a voz daqueles que habitam no meu coração através de aplicações e outras engrenagens.

Assim o que temos para hoje é SAUDADE.




Pouco ou nada a dizer...

 Pouco ou nada tenho a dizer sobre um país (ou os seus governantes) quando se estabelece a proibição de circulação entre concelhos, no período de 30 de Outubro a 3 de Novembro, com a finalidade de evitar os "ajuntamentos" de pessoas nos cemitérios a prestar homenagem aos seus mortos, mas se estabelece como excepção a essa proibição de circulação a deslocação para assistir a espectáculos ou eventos culturais, desde que se exiba o bilhete. Já para não falar da poribição de circulação das crianças que residem com um dos pais e que passam o fim de semana com o outro ( não, não foi incluída nas excepções).

E digo que pouco ou nada tenho a dizer, porque são tantas as coisas feias que me apetece chamar a quem manda, que é melhor não gastar energia...Isto, para não ir buscar a Formula 1, este fim de semana que passou, no Algarve.

Quem quer credibilidade, quem quer impor autoridade sem ser pela força tem de ser coerente...e em Portugal têm-se estabelecido tudo, menos regras coerentes. 

Deixem passar...mas olhem!

     Sou absolutamente apaixonada por este poema do Miguel Torga, tanto mais que já o partilhei mais que uma vez no meu mural do facebook. Suscita em mim algumas meditações.

Às vezes, devíamos olhar para quem passa nas nossas estradas da vida e compreender que vai a um ritmo ou com uma postura diferente da nossa.

Devíamos olhar apenas, não dizer nada. Mas ver!

Em silêncio. Despojados de tudo e apenas ver o outro.

Olhamos para o outro, tantas vezes com os olhos cheios de ruído... cheios do nosso próprio ruído... e a vida segue...e continuamos ocupados no nosso ruído e não nos apercebemos do nosso próprio vazio. Nem do silêncio dos outros.

SANTO E SENHA
Deixem passar quem vai na sua estrada.
Deixem passar Quem vai cheio de noite e de luar.
Deixem passar e não lhe digam nada
Deixem, que vai apenas
Beber água de sonho a qualquer fonte;
Ou colher açucenas
A um jardim que ele lá sabe, ali defronte.
Vem da terra de todos, onde mora
E onde volta depois de amanhecer.
Deixem-no pois passar, agora
Que vai cheio de noite e solidão
Que vai ser uma estrela no chão.