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Para lá do que é razoável.

Não nasci em Vila Franca de Xira. Vim aqui parar por força do destino. No entanto, as quase duas décadas que passaram desde que aqui vivo, fizeram dela a minha cidade de coração. Há tradições, locais e pessoas fantásticas em Vila Franca de Xira.
Não sei se por ser de uma zona onde a Festa Brava não é sequer um acontecimento raro, porque simplesmente não há , nunca gostei de touradas.
Se sou contrária a elas? Sim, sou. Mas não sou contra as pessoas que gostam delas e aprendi a viver sem conflitos numa terra em que se ama a lide e as corridas.
As touradas (ou o ser-se anti-touradas) são um assunto para mim como o é o futebol, a política ou mesmo a religião. Geram paixões, opiniões inflamadas e levam a atitudes irracionais. Por isso, não discuto sobre o assunto e só me manifesto entre os mais próximos, se questionada. Além disso, tenho muito mais com que me ocupar.
No entanto, não posso deixar de assinalar com alguma tristeza e até mesmo irritação, que, na escola que as minhas filhas frequentam, alguns meninos e meninas sejam ostracizados e vistos como extraterrestres por não apreciarem as corridas, as largadas ou mesmo as sevilhanas. Ou seja, com tudo o que está relacionado.
Se ensino aqueles que de alguma forma posso influenciar, seja em casa, seja no trabalho, a serem tolerantes nesta matéria, não posso contudo ficar calada e ser tolerante com este tipo de atitudes, sejam elas com que crianças forem.



Que a tua mão esquerda...

Adoro o Natal. Não sei se mais agora que tenho as minhas filhas (apesar de elas já não vibrarem tanto como outrora) ou se vibrava mais quando era miúda.
Esta época é sempre para mim também uma altura de descoberta de mim (estamos sempre em evolução) e de descoberta dos outros.
Multiplicam-se por todo o lado as iniciativas em prol dos mais necessitados. Acho bem. Nunca é demais ajudar quem precisa. 
Lamento é que muitas pessoas só façam questão de ajudar porque se lembram que é Natal como forma de aliviarem as suas consciências, penso eu. E lamento, acima de tudo que pessoas e instituições divulguem, apregoem aos sete ventos os bem que fazem e as pessoas que ajudam.
Nesta altura do ano, perante tanto alarido, faz todo o sentido a frase de Jesus " Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda, o que faz a direita."
Boa noite. Boa semana!

Dos equilíbrios...

A vida é, de facto, como alguém me disse, a arte do equilíbrio. Do equilíbrio entre os dias maus e os dias que contam a sério, em que pequenos nadas nos invadem e deixam-nos de coração cheio de gratidão.
Tive alguns dias que me doeram durante a semana que passou. Lembrar-me da morte do meu avô, o sofrimento das crianças que presenciei fizeram com que alguns dos dias me tivessem quase atirado ao chão.
Mas como a felicidade vem muito cá de dentro, hoje decidi aproveitar o sol e a ausência de avaliações na próxima semana para as Minis (que nos impede de grandes passeios), e decidimos ir visitar o Jardim da Paz, ou o Buddha Eden, na zona do Bombarral.
Não posso dizer que seja um espaço deslumbrante ou fascinante em termos do que quer que seja. Mas, é, na verdade, um jardim de paz, um sítio onde, não obstante a existência de outros visitantes, se respira tranquilidade. Foi um dia daqueles em que captei toda a energia boa que consegui.
Um dia para encontrar o equilíbrio.

Coisas que me moem!

Como já escrevi um milhão de vezes aqui, trabalho na área das crianças e da família e adoro. Não tenho grandes dificuldades em avaliar situações.
No entanto, como mãe de uma adolescente e uma pré adolescente, todos os dias me deparo com um drama para o qual não encontro resposta. A partir de que momento ou linha as picardias entre os miúdos na escola deixam de ser apenas picardias e passam a bullying?
É muito fácil avaliar quando não é com os nossos filhos...ninguém consegue ser bom juiz em causa própria...sobretudo quando estamos do lado dos mais fracos...

Porque há coisas que preciso de dizer...

Faz hoje 35 anos, era terça feira, e eu vinha da escola preparatória acompanhada das minhas amigas Marta Monteiro e Carla Costa
No meio da Rua da Calçada deram-me a notícia e eu lembro-me como se fosse hoje. O João "Manteigas", meu avô, tinha morrido. 
Perdi nesse dia, com dez anos, uma das pessoas de quem mais me orgulho. Um homem bem disposto, honesto e muito trabalhador. 
Fez da minha mãe a pessoa fantástica que é, e deu-lhe todas as possibilidades de conhecimento e formação, muitas vezes com sofrimento e sacrifício próprio. 
Um visionário, não obstante a sua parca formação académica, que não ia além da quarta classe. 
Para mim, que sou crente, não duvido que está, há precisamente 35 anos, lá num sítio magnífico onde não há dor nem sofrimento. Lugar que conquistou por mérito próprio.
 Obrigada pela herança que nos deixaste: o teu exemplo de vida, como pai e, sobretudo, como homem.

Quem diria?

Desde Agosto que tenho feito alimentação paleo e tenho-me sentido imensamente bem. Vou continuar.
Quem tem uma noção sobre o tipo de alimentação em questão sabe que pão e manteiga são duas coisas proibidas.
O pão não me faz absolutamente falta nenhuma porque não sou e nunca fui fã de pão. A manteiga em si mesma também não. Uso azeite ou óleo de coco em quase tudo.
Mas, de vez em quando, sinto uma vontade louca de comer as duas coisas juntas. Sim, para mim pão com manteiga (se for dos Açores ainda melhor) é um petisco daqueles detrás da orelha. Não que seja uma coisa que me apeteça todos os dias. Mas, confesso que as duas ou três vezes que desviei da linha paleo foi por causa de um pãozinho com manteiga.
Parecia-me que eu era assim um pouco tola por causa desta minha predilecção pois cá em casa ninguém gosta de pão com manteiga e em casa dos meus pais esta iguaria também não colhe muitos fãs.
Sucede que, esta semana, a SAPO fez uma sondagem sobre a preferência daquilo que os portugueses gostavam para utilizar no pão. Et, voilá! A maioria dos portugueses adora pão com manteiga, mais do que com doce, queijo ou com fiambre, Quem diria que afinal não sou um caso raro, mas sim estou com a maioria?


Para bom entendedor...

Uma das coisas que admiro nas pessoas é a capacidade de serem subtis quando as situações assim o exigem.
Por isso, parece-me muito bem que, relativamente à acesa discussão sobre a taxa de IVA nas touradas, querendo manter a sua isenção e deixando a quem compete votar a tomada de posição,  o Presidente da República tenha brindado os jornalistas com uma frase, quanto a mim muito inteligente, a saber "O Presidente da República não deve exprimir [uma opinião]. Deve deixar aos deputados o saberem ponderar, com raridade de meios, aquilo que é verdadeiramente importante e aquilo que não é tão importante."
Quem, como eu trabalha na área das crianças e se debate todos os dias com a falta de recursos humanos para trabalhar junto das famílias as suas competências, para quem, como eu se apercebe da imensa pobreza que existe por aí, estas palavras querem dizer muito. Ou estarei a ver mal ?