15 de dezembro de 2019

É físico meus senhores!!!

Provavelmente não vou escrever aqui nada que já muitos não saibam. Contudo, penso que não posso deixar de partilhar uma imagem que traduz algo que eu já sabia há muito (das várias formações que tenho frequentado enquanto profissional da área dos menores e da família) e que suspeitava há mais tempo ainda.
O stress provocado numa criança (e futuro adulto) sujeita a violência física e verbal, sujeita a conflito parental é de tal forma traumático, que não deixa apenas as ditas cicatrizes emocionais. Deixa marcas físicas no cérebro, que ficam para sempre e que afectarão a sua saúde mental para sempre bem como a sua forma de estar e ver o mundo.
Abaixo fica uma imagem de um cérebro de uma criança com uma vida estável e ao lado a de uma criança sujeita a conflito parental e violência física ou verbal.
As marcas da diferença são bem visíveis. Fiquei arrepiada a primeira vez que vi isto. Porque a violência, o desprezo e o conflito fazem parte do quotidiano das crianças que me passam pelas mãos e, sobretudo pelo coração, todos os dias.


10 de dezembro de 2019

Medida muito acertada!

Li há pouco que a Sociedade Protectora dos Animais suspende as adopções de cães e gatos no período compreendido entre 15 de Dezembro e 6 de Janeiro.
Esta medida parece-me bastante acertada.
Com o espírito natalício é tentador acolher em nossa casa um patudo e fazer planos para o encher de amor o resto da vida. Assim, mais ou menos tipo as resoluções de ano novo.
Só que, depois, no dia a dia, ter um animal de estimação exige muito. Da minha experiência, sinto que recebo muito mais que aquilo que  dou, falo pelas minhas patudas, mas também compreendo que é preciso disponibilidade, sentido de responsabilidade e amor. Nem todas as pessoas são capazes de assumir um animal, por isso, concordo inteiramente que, com estas medidas se refreiem os seus ímpetos. Um animal não é um brinquedo.



28 de novembro de 2019

Quando se perde um Homem Bom...

Por mais que, como católica e cristã, veja a morte como uma transição e não como um fim, não consigo deixar de lado um sentimento de que parte da minha história se perdeu ao ter visto descer à terra um dos homens que mais amo e, talvez, o mais íntegro ser humano que conheci.
Não consigo parar as lágrimas quando diante dos meus olhos passam as imagens vivas de toda a protecção, afecto e alegria que me deu.
Resta-me a alegria de saber que lhe disse muitas vezes o quanto era importante para mim e o quanto o seu exemplo contribuiu para eu ser como sou hoje.
Fui e sou uma abençoada por me ter na minha vida um pai extraordinário (ainda junto de mim) e um tio, que apesar de o ser apenas por afinidade, tinha comigo uma ligação para lá dos laços de sangue.
Resta-me a mágoa de me ter deixado levar pela correria da vida e pelos quilómetros que nos separavam nos últimos tempos e não ter estado mais tempo fisicamente junto dele.
Da sua morte, 2 dias antes do dia em que o ia visitar, retiro a grande lição, sentida na pele, que esta frase do António Feio traduz.


22 de novembro de 2019

Coisas engraçadas. Ou não!

Grande parte das vezes que vou buscar a Mini mais velha ao colégio, na portaria - que é uma espécie de sala com sofás, mesa e máquina de café - encontram-se mais de dez pais ou avós esperando os seus pequenos.
Quando chego, a primeira coisa que me sai é um "Boa tarde!". Devo dizer que a maior parte das vezes, à vontade noventa por cento das vezes, para além da porteira, ninguém me retribuí o cumprimento. Podia calar-me, deixar de dizer, mas é uma coisa tão intrincada em mim, e que eu acho correcto, que assim continuo...No colégio ou em qualquer sítio onde vou, sendo que nos estabelecimentos comerciais é mais fácil ter quem me responda.
Curiosamente, ouvindo a rádio no carro pela manhã de hoje, à pergunta aos ouvintes "se pudesse instituir uma lei, qual seria?", alguém respondeu que seria que as pessoas dissessem bom dia umas às outras, nomeadamente, nas paragens de autocarro. Um dos locutores logo disse que achava correcto, mas a locutora ficou como que surpreendida e exclamou algo do género "mas dizer bom dia a pessoas que não se conhece?"
Dei por mim a pensar que se calhar aquelas pessoas da portaria é que são o normal e eu é que ainda carrego comigo muito da minha ruralidade e da minha herança nortenha, onde o bom dia, o boa tarde e o boa noite, se dizem com muita frequência, mesmo que as pessoas não sejam das nossas relações próximas.

9 de novembro de 2019

São pedras, senhores...

São pedras senhores, o que sabemos atirar, sempre que alguém faz alguma coisa que, à partida parece pouco consentâneo com a sua condição humana e, sobretudo de mãe.
Não penso que devêssemos atirar rosas ou aplaudir. Devíamos, sim, parar e olhar para além do cenário.
Tudo isto, a propósito da mãe que esta semana, imediatamente após o parto, colocou o seu recém-nascido num eco-ponto  (destinado não ao lixo doméstico ou ao vidro).
 Logo se levantaram as vozes e a conversa do costume. "Desgraçada!", "Vadia!", "Tantos casais a quererem ter filhos e ela faz isto!", "Porque não foi dá-lo para adopção?"
Antes de mais, é preciso pensar e chegar à conclusão que o tal trabalho em rede e multidisciplinar que tanto se apregoa nos órgãos de comunicação social falhou redondamente. Ninguém deu conta que havia uma jovem de 22 anos, sem qualquer família de suporte, sem abrigo e grávida.
Depois, ir entregá-lo a uma instituição e dar o consentimento para adopção implicaria uma série de burocracias (e quem trabalha na área sabe-o muito bem), que não sei se esta mulher tinha condições psicológicas de acompanhar.
Além disso, se a lei penal prevê a figura do infanticídio para os casos em que as mães matam os filhos no estado puerperal, ou seja, ainda sob a influência das emoções fortes que as hormonas libertadas durante o parto, reconhecendo, desta forma, que esta influência as torna incapazes, muitas vezes, de pensar correctamente e as leva a agir de forma descompensada, poderíamos exigir a esta mulher que teve a criança no meio da rua sozinha, que discernisse ao ponto de ir arranjar um caixotinho e ir deixá-lo disfarçadamente, em pleno dia, à porta de um centro de acolhimento?
Eu passei pela infertilidade na minha primeira gravidez e, talvez na altura tivesse pensado como a maioria das pessoas pensa. Era muito, mas muito mais nova e não tinha a capacidade de ver sem julgar que tenho hoje.
Todos se preocupam com o bebé que foi deixado no ecoponto azul. E é de preocupar. Mas, felizmente, ele está bem, e será o mais rapidamente adoptado, tanto mais que encontraram a mãe.
Espero que haja um pouco de humanidade e se preocupem também com a mãe sem abrigo, de 22 anos, dominada por um homem qualquer de identidade desconhecida, que pariu no meio da rua sozinha, sem uma mão para segurar.





8 de novembro de 2019

Do não conformismo...

Quem me vem lendo já deve estar cansado da minha cantilena de que sou uma pessoa grata, bem como da "conversa"  de que a minha mudança de atitude perante a vida para uma postura de gratidão foi o que me trouxe tranquilidadem verdadeiramente revolucionou a minha vida. Mas é a mais pura das verdades.
Já não é a primeira vez que ouço algumas pessoas com quem me relaciono falarem com um certo desdém da gratidão, referirem-se a ela como uma moda. Se é uma moda ou não, não sei. Sei que se for estou na moda e quero continuar a ser assim mesmo quando já for demodée mesmo por uma questão de bem estar meu.
Hoje, contudo, consegui perceber o porquê deste certo desdém. É que muitas pessoas confundem esta atitude de gratidão com conformismo, com uma certa falta de ambição ou de vontade de evoluir.
Pois meus caros, a paz e alegria que o ser grata me trazem, não me impedem de querer evoluir, sobretudo evoluir em conhecimentos e como pessoa. Querer conhecer sítios, culturas e melhorar profissionalmente.
O ser grata é viver em alegria e harmonia com aquilo que vou conquistando, feliz com aquilo que a vida me vai proporcionando. O contrário seria gastar tempo e energia a reclamar com tudo e todos e a achar que, cada vez que me acontece um contratempo, sou a pessoa mais desgraçada do mundo.
Esta atitude de consciência e satisfação pelo que vou conseguindo, impulsiona-me para a frente. Impede-me de gastar a minha energia e o meu tempo a olhar para trás, para o que possa ter perdido, antes a usando num processo de evolução, de tolerância e de tomada de consciência acerca das minhas capacidades e, necessariamente, dos meus limites.
Ser grato não é de modo algum ser conformista.

3 de novembro de 2019

Quando a cabeça não tem juízo...

Já há muito tempo que tinha abandonado, ou tentado restringir a ocasiões especiais, o consumo de produtos com glúten ou caseína. Isto, porque me apercebi que desinchei imenso e, sobretudo, porque deixei de ter enxaquecas com tanta frequência quando restringi este consumo.
Como mudei de graduação dos óculos, as enxaquecas passaram mesmo quase a zero, e eu comecei a pensar que, afinal, o problema era da graduação, que era um problema de visão.
Nas últimas semanas, tenho-me descuidado imenso e tenho comido coisas com farinhas finas. Et voilá, em duas semanas, quatro dias de enxaquecas daquelas de não poder ouvir barulhos, de odiar todo e qualquer cheiro e mal poder ver a claridade. Tive de fazer a minha vida normal, é claro, mas com imenso custo.
Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga. Pagou com mais 1 quilo e 500 gramas e um sofrimento atroz.
Juro-vos que não caio noutra!!!