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Preciso tanto...

 Não sou nem nunca fui fã do Inverno. Não tanto pelo frio ou pelo vento (mais comuns nesta altura do ano), mas antes pela escuridão dos dias, pelo aspecto despido da natureza.

   Gosto muito do mês de Março. Nos últimos 15 anos porque é o mês em que comemoro os nascimentos das minhas duas filhas. Antes disso porque era (e é) o mês da claridade e do renascimento. É um mês que celebra a esperança de novos dias e novas aventuras, já que a natureza se reinventa.

Este ano, mais do que em todos os outros preciso que chegue Março. Preciso que os dias sejam maiores que as noites. Que a esperança seja maior que o medo. 

Preciso de ter os meus pais vacinados para poder matar estas saudades imensas que me corroem.

Preciso de sol para poder acreditar que as coisas que, de vez em quando, me deixam sem chão, vão passar e eu vou ultrapassá-las.

E, Março chega já amanhã. Que bom!!!

Barril de pólvora...

 As imagens sobre as manifestações e confrontos violentos ocorridos hoje em várias cidades de Espanha, especialmente em Barcelona, fizeram-me pensar em como em casa um de nós existe um barril de pólvora à espera de um rastilho.

Independentemente da opinião que tivermos sobre a questão de fundo  - a prisão do rapper -, não podemos deixar de reflectir sobre o exagero das manifestações e das reacções a elas, sendo que as reacções potenciaram novas atitudes de violência por parte dos manifestantes.

Um ano de frustração, de medo e de falta de actividade que permita extravasar todas as ansiedades e raivas acumuladas, pode levar a consequências gravissímas, se não tivermos mecanismos de autocontrolo e formas de nos serenar.

Quando olho para trás, vejo que a aprendizagem da meditação e o do reiki foram das ferramentas mais preciosas que adquiri.

Seriam muito mais tempestuosos os meus dias em casa com duas adolescentes se não me retirasse mentalmente de "cena" muitas vezes.

Estas ferramentas apagam o rastilho que muitas vezes rodeia o barril de pólvora que vai enchendo ao longo dos dias.

Coisas que me não fazem sentido!

 E, quando atingimos praticamente o número de 200.000 pessoas totalmente vacinadas, dei por mim a lamentar-me de alguns critérios (generalistas???) de vacinação.

Não me faz qualquer sentido que algumas pessoas sejam colocadas numa determinada ordem para serem vacinadas só porque pertencem a um determinado grupo profissional, sem que se atente às funções que efectivamente exercem ou às suas particularidades de saúde.

Fui confrontada com um pedido de elementos de contacto da minha entidade reguladora para que tal informação seja prestada às autoridades de saúde para efeitos de vacinação. Tal não me faz qualquer sentido, uma vez que, embora trabalhando com o público, não sofro (até ver) de nenhuma comorbilidade considerada relevante. 

Nesta fase do campeonato e na seguinte  (que é aquela em que se pode colocar a questão de sermos vacinados ) é absurdo fazer parte de qualquer grupo prioritário. 

Daí que, sendo coerente, e com vista a ficar com a consciência tranquila, passei a minha vez!

Serei vacinada, se tudo correr bem, quando forem as pessoas da minha idade!


Em tempo de guerra...não se limpam armas!

 Cá por casa nunca fomos particularmente fãs do dia de S. Valentim.

Nunca serviu para nos mimarmos especialmente, para além do normal diário. Serviu, apenas, muitas das vezes, para eu aproveitar e não fazer jantar e irmos buscar (sim, porque jantar num restaurante no dia 14 de Fevereiro é uma miragem).

Este ano, também o dia de São Valentim serviu para troca de presentes, postais e ir buscar o jantar. Não porque tivéssemos passado a dar ao dia uma importância diferente.

Apenas porque nestes tempos sombrios e de monotonia tudo serve para celebrarmos qualquer coisa a dois ou a quatro. Tudo serve para fazemos algo de diferente.

Em tempos de guerra é assim.

Hábitos imutáveis!

 E hoje, 13 de Fevereiro, é o dia Mundial da Rádio.

Ontem, a propósito de uma projecção de futuro em relação a uma futura pandemia, alguém comentava com o jornalista da estação que eu ouvia, qualquer coisa como "e cá estaremos nós para conversar sobre isso, isto se a rádio continuar a existir".

Pois, se, todos ou pelo menos alguns, forem como eu, a rádio continuará sempre a existir. É o meu meio de comunicação social preferido. O que mais me faz companhia, seja de manhã, seja mesmo à noite.

Os meus pais relatam que desde sempre adorei ouvir rádio. Lembro-me de, em menina, fazer a rotina matinal antes de ir para a escola a ouvir um programa do António Sala e de Olga Cardoso, o Despertar.

Depois, já mais velha, talvez nos tempos de faculdade, apaixonei-me por uma voz. A voz do Fernando Alves, da TSF, que noite dentro ouvia com os phones nos ouvidos, no programa O Postigo. No dia em que vi o Fernando Alves na TV fiquei em choque. Não era lindo de morrer como a sua voz sugeria.

Já casada e mãe rendi-me ao Programa da Manhã da Comercial, pela boa disposição e pelas gargalhadas que nos fazia (a mim e às Minis) soltar, a caminho da escola.

Ainda ouço a Comercial, mas tenho sempre o Rádio sintonizado na Rádio Observador, que ouço quando vou trabalhar. Adoro as rúbricas "Contra Corrente" e "O Bom o Mau e o Vilão", logo pela manhã.

Na rádio só não gosto de ouvir relatos de futebol. Nunca gostei. Fico em stress.

Quanto ao mais, sou absolutamente fã. É um hábito que mantenho desde que me lembro e diário.




Eu mantenho-me fiel!

 Neste confinamento - mais que no anterior - tenho notado uma grande debandada da blogosfera. Aliás, no anterior houve muita gente que retornou, mas apenas temporariamente, talvez por necessidade de se manter ocupada.

Tenho verificado, cada vez mais, uma preferência pelo instagram. Eu até entendo. É mais rápido e fácil carregar uma foto de uma coisa gira ou de um acontecimento que escrever um texto sobre um assunto qualquer.

Também tenho uma conta de instagram e costumo consultar quase todos os dias o feed.

Mas eu tenho paixão pelas palavras...por tudo o que podemos transmitir e por tudo o que me transmitem. Dizem que uma imagem vale mais que mil palavras. Até pode ser em outros contextos. Mas nada como reflectir em conjunto usando as letras.

Nunca conseguirei substituir um por outro, embora reconheça que é mais fácil interagir no instagram.




Coisas que o meu entendimento não alcança!

     Há pouco fui ao centro da cidade fazer compras.

    Aproveitei para ir à papelaria comprar um postal de aniversário.

    Qual não é o meu espanto quando vejo os expositores dos livros todos tapados com plástico, mas o das revistas estava em funcionamento normal.

    Questionei o funcionário que me explicou que se quisesse ler a revista Caras, a Maria ou a TV Guia, estaria à vontade para o fazer. Assim como comprar uma revista de culinária ou de plantas. Comprar um livro é que não poderia, porque é proibido no âmbito das medidas do Estado de Emergência.

    Pois devo admitir que tal disparidade é-me completamente incompreensível. Não entendo, sendo que na minha opinião, os livros são bens essenciais, ainda para mais numa altura de confinamento.

   Bem sei que podem ser vendidos on line e já tenho comprado alguns assim. Contudo, o que me choca é o tratamento diferenciado entre livros e revistas, ainda que cor de rosa, temáticas ou de sopas de letras.

    Há coisas que o meu cérebro se recusa a entender.