9 de novembro de 2019

São pedras, senhores...

São pedras senhores, o que sabemos atirar, sempre que alguém faz alguma coisa que, à partida parece pouco consentâneo com a sua condição humana e, sobretudo de mãe.
Não penso que devêssemos atirar rosas ou aplaudir. Devíamos, sim, parar e olhar para além do cenário.
Tudo isto, a propósito da mãe que esta semana, imediatamente após o parto, colocou o seu recém-nascido num eco-ponto  (destinado não ao lixo doméstico ou ao vidro).
 Logo se levantaram as vozes e a conversa do costume. "Desgraçada!", "Vadia!", "Tantos casais a quererem ter filhos e ela faz isto!", "Porque não foi dá-lo para adopção?"
Antes de mais, é preciso pensar e chegar à conclusão que o tal trabalho em rede e multidisciplinar que tanto se apregoa nos órgãos de comunicação social falhou redondamente. Ninguém deu conta que havia uma jovem de 22 anos, sem qualquer família de suporte, sem abrigo e grávida.
Depois, ir entregá-lo a uma instituição e dar o consentimento para adopção implicaria uma série de burocracias (e quem trabalha na área sabe-o muito bem), que não sei se esta mulher tinha condições psicológicas de acompanhar.
Além disso, se a lei penal prevê a figura do infanticídio para os casos em que as mães matam os filhos no estado puerperal, ou seja, ainda sob a influência das emoções fortes que as hormonas libertadas durante o parto, reconhecendo, desta forma, que esta influência as torna incapazes, muitas vezes, de pensar correctamente e as leva a agir de forma descompensada, poderíamos exigir a esta mulher que teve a criança no meio da rua sozinha, que discernisse ao ponto de ir arranjar um caixotinho e ir deixá-lo disfarçadamente, em pleno dia, à porta de um centro de acolhimento?
Eu passei pela infertilidade na minha primeira gravidez e, talvez na altura tivesse pensado como a maioria das pessoas pensa. Era muito, mas muito mais nova e não tinha a capacidade de ver sem julgar que tenho hoje.
Todos se preocupam com o bebé que foi deixado no ecoponto azul. E é de preocupar. Mas, felizmente, ele está bem, e será o mais rapidamente adoptado, tanto mais que encontraram a mãe.
Espero que haja um pouco de humanidade e se preocupem também com a mãe sem abrigo, de 22 anos, dominada por um homem qualquer de identidade desconhecida, que pariu no meio da rua sozinha, sem uma mão para segurar.





8 de novembro de 2019

Do não conformismo...

Quem me vem lendo já deve estar cansado da minha cantilena de que sou uma pessoa grata, bem como da "conversa"  de que a minha mudança de atitude perante a vida para uma postura de gratidão foi o que me trouxe tranquilidadem verdadeiramente revolucionou a minha vida. Mas é a mais pura das verdades.
Já não é a primeira vez que ouço algumas pessoas com quem me relaciono falarem com um certo desdém da gratidão, referirem-se a ela como uma moda. Se é uma moda ou não, não sei. Sei que se for estou na moda e quero continuar a ser assim mesmo quando já for demodée mesmo por uma questão de bem estar meu.
Hoje, contudo, consegui perceber o porquê deste certo desdém. É que muitas pessoas confundem esta atitude de gratidão com conformismo, com uma certa falta de ambição ou de vontade de evoluir.
Pois meus caros, a paz e alegria que o ser grata me trazem, não me impedem de querer evoluir, sobretudo evoluir em conhecimentos e como pessoa. Querer conhecer sítios, culturas e melhorar profissionalmente.
O ser grata é viver em alegria e harmonia com aquilo que vou conquistando, feliz com aquilo que a vida me vai proporcionando. O contrário seria gastar tempo e energia a reclamar com tudo e todos e a achar que, cada vez que me acontece um contratempo, sou a pessoa mais desgraçada do mundo.
Esta atitude de consciência e satisfação pelo que vou conseguindo, impulsiona-me para a frente. Impede-me de gastar a minha energia e o meu tempo a olhar para trás, para o que possa ter perdido, antes a usando num processo de evolução, de tolerância e de tomada de consciência acerca das minhas capacidades e, necessariamente, dos meus limites.
Ser grato não é de modo algum ser conformista.

3 de novembro de 2019

Quando a cabeça não tem juízo...

Já há muito tempo que tinha abandonado, ou tentado restringir a ocasiões especiais, o consumo de produtos com glúten ou caseína. Isto, porque me apercebi que desinchei imenso e, sobretudo, porque deixei de ter enxaquecas com tanta frequência quando restringi este consumo.
Como mudei de graduação dos óculos, as enxaquecas passaram mesmo quase a zero, e eu comecei a pensar que, afinal, o problema era da graduação, que era um problema de visão.
Nas últimas semanas, tenho-me descuidado imenso e tenho comido coisas com farinhas finas. Et voilá, em duas semanas, quatro dias de enxaquecas daquelas de não poder ouvir barulhos, de odiar todo e qualquer cheiro e mal poder ver a claridade. Tive de fazer a minha vida normal, é claro, mas com imenso custo.
Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga. Pagou com mais 1 quilo e 500 gramas e um sofrimento atroz.
Juro-vos que não caio noutra!!!

1 de novembro de 2019

Às vezes é preciso um clique!

Quando as formações não são só "blá, blá, blá" para inglês ver, até nós mudamos. Depois de ouvir o professor Carlos Neto, da Faculdade de Motricidade Humana, ontem, no Congresso de Justiça Restaurativa, organizado pelo meu amigo Joaquim Manuel Silva, dei por mim, ao acordar hoje, com um desejo de sair para a rua com a família e aproveitar a natureza. E se o desejei, mal vi que não chovia a cântaros, pus toda a gente em marcha para junto do caminho pedonal do Tejo. Família de 4 patas incluída. Viemos todos muito mais felizes!!!

Todos sabemos isto!
Leiam! É interessante!

29 de outubro de 2019

Sei lá...gosto!

Tempos houve em que embirrava com o Outono e com o Inverno por causa da chuva e por causa dos dias pequenos. Com o Verão por causa do calor.
Nesta fase da vida, penso que começo a apalermar, e que todas as épocas do ano me agradam.
Gosto da Primavera e de ver os dias crescerem, dos dias amenos. Gosto do Verão e do calor, para ter a sensação de me refrescar na água (desde que não seja exagerado, tipo 42º) e de ter dias com luz infindável.
Gosto do Outono com os seus mil tons laranjas, amarelos e castanhos. De sentir os dias refrescarem e de me poder refugiar em casa nos dias de chuva.
Devo estar mesmo a ficar velhota. Aprecio todas as alturas. Gosto tanto das segundas como das sextas, embora o meu dia preferido seja o sábado.
Estarei lelé da cuca?

27 de outubro de 2019

Constelar...

Nos últimos tempos tenho tido contacto, quer por motivos profissionais, quer por curiosidade pura, que me levou a estudar muito o assunto, com o sistema das Constelações Familiares criado por Bert Hellinger, um terapeuta alemão, que faleceu este ano em Setembro.
Nos dias 18 e 19 estive no primeiro Congresso Internacional de Constelações Familiares em Portugal. E, não, o termo Constelações  nada tem a ver com astrologia, mas sim com a ideia de que tudo no mundo está interligado, de que tudo o que somos hoje é resultado ou tem uma explicação lá atrás e de que o que não aceitamos e acabamos por chamar por destino, acaba por dominar as nossas vidas.
É muito difícil deixar aqui, num curto texto o que é esta forma de estar, de resolver o que nos preocupa e de consciencialização.
Quem tiver paciência veja este vídeo que traduz um pouco do que são as constelações.

23 de outubro de 2019

Com quem eu convivo bem!

Eu...Eu convivo bem com pessoas tímidas; convivo bem com pessoas faladoras e ruidosas;
Eu.. Eu convivo bem com pessoas que não têm papas na língua e que, por vezes, roçam a má educação com as suas palavras...faço silêncio e sigo em frente...
Eu... Eu convivo bem com pessoas que gostam de se evidenciar e mostrar os seus conhecimentos...como convivo bem com pessoas simples, recatadas e que transportam consigo, sem apregoar aos sete ventos, as suas qualidades!
Já não consigo é ficar indiferente e de sentir alguma irritação em relação às pessoas que acham que conhecidos e desconhecidos só existem para lhes "tramar" a vida, que tudo o que lhes acontece é o resultado de uma espécie de "cabala" com vista à sua destruição ou é fruto da intenção alheia de perturbar a sua paz. Estas pessoas suscitam em mim, além de uma certa irritação inicial, uma certa compaixão posterior, na medida em que são pessoas que não são capazes de olhar para dentro, de se aceitar como são. A elas assenta perfeitamente a expressão de Sartre "O inferno são os outros".
Tenho dito.