Tanto ódio!

8 de maio de 2021

 Tal como imaginei ao ouvir a notícia pela manhã de ontém, as redes sociais e os comentários à notícia relativa à criança de dois anos que morreu asfixiada dentro do carro estão carregados de ódio e de indignação contra os pais, especialmente contra a mãe.

Esta notícia valeu-me uma grande reflexão e uma grande sensação de alívio por as minhas filhas já serem crescidas e tamanha desgraça nunca me ter acontecido.

Nunca me esqueci das minhas filhas em sítio algum...mas podia ter esquecido... Não digo sair de um sítio sem as trazer comigo, mas achar que cumpri uma rotina sem a ter cumprido. 

Fases houve, com duas filhas com pouco mais de um ano de diferença, em escolas diferentes, com terapias e afins, que a minha vida foi uma correria. Os horários do meu marido eram incompatíveis com as rotinas delas, e sem qualquer família por perto, era sobre mim que recaíam todas as tarefas.

Entre os 2 e os 4 anos da mais velha poucas foram as noites em que dormi mais de duas horas seguidas.

Ainda hoje sinto o efeito da privação do sono que sofri. Na altura era muito pior.

Telefono aos meus pais todos os dias e lembro-me, na altura, de ligar mais que uma vez por dia (como se fosse a primeira), achando que ainda não tinha ligado, ou de chegar ao fim do dia e a minha mãe me ligar preocupada por eu não ter ligado, quando eu quase que podia jurar que tinha.

Viver em piloto automático é uma consequência desta vida de correria. Muitas vezes os sentidos enganam-nos e temos a percepção que fizemos uma coisa que ainda não fizemos ou o contrário.

Não atiro pedras porque não consigo sequer imaginar a dor desta mãe.

Tenho a noção que, se algo do género, me tivesse acontecido...a minha vida teria acabado ali...

Por isso, não atiro pedras...apensas tenho compaixão e agradeço por nunca me ter acontecido.

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De todas as coisas...

2 de maio de 2021

 De todas as coisas que me propus fazer na minha vida, de todas as coisas que consegui realizar até hoje, ser mãe é, sem dúvida, a mais dolorosa, extenuante e infinita. Não me arrependo nem um segundo deste caminho que decidi percorrer, mas penso que antes de o iniciar não tinha a noção de como iria ser...

Só depois de o iniciar e perceber que a maternidade exige que nos transcendamos é que consegui alcançar a verdadeira grandiosidade da mulher mais extraordinária do mundo: a minha mãe.

É por ela que hoje aqui escrevo. Porque não tem limites a minha gratidão.

E sim, só aprendemos a ser filhos quando somos pais!

De todas as coisas no mundo, não há coisa mais incondicional que o amor de uma Mãe!

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Nivelar por baixo...

16 de abril de 2021

 Não me considero uma pessoa absolutamente irrepreensível em termos de escrita no que concerne à observância das regras gramaticais ou correcção da ortografia. Seja como for, sou daquelas pessoas que, quando tenho dúvidas, consulto o diccionário ou o prontuário.

Não gosto de ver, sobretudo em correspondência oficial, textos que não respeitam tais regras ou com erros (que não meras gralhas ou lapsos). Fico logo mal impressionada acerca de quem os enviou quando se trata de pessoas com formação académica. Acho que a estas é exigível que escrevam minimamente bem.

Daí que me tenha desagradado a ideia em voga em algumas universidades inglesas (espero que a defesa desta posição se fique por terras de sua majestade) de que os professores devem deixar de ser tão exigentes com os alunos (universitários, obviamente) no que concerne à escrita, já que tal exigência tem natureza elitista, uma vez que nem todos tiveram as mesmas oportunidades de aprendizagem.

Na verdade, se é pouco consistente o argumento - pois para chegar ao ensino superior todos passaram pelos mesmos anos de ensino - lamentável é que se aceite o erro, nivelando-se por baixo.


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Tempo de renovação!

3 de abril de 2021

 Independentemente do significado que a Páscoa tenha para cada um de nós, penso que é sempre um tempo de alegria e de esperança.

Para mim, que sou católica, é um tempo de profunda reflexão e de libertação. Desta vez vou tentar libertar-me do desânimo e da frustração que o segundo confinamento me trouxe.

Mas, acredito que, ainda que não sendo católicas, muitas pessoas vislumbram na Páscoa ( pela proximidade com o equinócio da Primavera) uma época de renascimento da natureza e de fertilidade e abundância.

A todos os meus amigos que por aqui passam, desejo uma Santa Páscoa... Que seja um recomeço proveitoso para todos.

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