Uma dor imensa...

28 de novembro de 2025

 A morte do Noori (ou Carolina Torres) era uma tragédia anunciada.

Como mãe de duas jovens adultas com resquícios de adolescência não posso de deixar de empatizar com os pais e com a dor que sentem. Perder um filho é uma tragédia desumana. Ser pai e mãe nos dias que correm é mesmo muito difícil.

Como profissional que, há dez anos, lida com a problemática das crianças e jovens em perigo,  sinto o amargo da falência do sistema, a inoperância de tudo o que a lei consagra para remover os perigos e evitar que o desfecho seja como o de Noori.

Noori tinha conhecidos problemas de saúde mental associados ou não (não sou profissional da saúde) à questão da sua alegada disforia de género. Mas tinha mais do que isso. Tinha pais separados que não estavam preparados para lidar com a sua dor, que não conseguiram entender o que se passava, seja porque estava muito para além da sua capacidade de entendimento, seja por causa da sua incapacidade de pedir ajuda especializada para si mesmos.

Não é fácil para os pais da minha geração lidar com todo este mundo novo de coisas que no nosso tempo eram tabu e vistas como algo estranho e fora do comum. Mas são muitos os jovens adolescentes que actualmente passam por dramas semelhantes. 

O mais importante, o que todo o sistema de protecção devia garantir, era uma visão sistémica e integrada de toda a família e garantir os apoios especializados não só aos jovens mas também aos pais ou cuidadores. 

E não garante. Não há médicos de pedopsiquiatria suficientes, não há psicólogos nos locais essenciais. E, ou se tem dinheiro para recorrer  à saúde privada ou só por muita sorte os fins não são terríveis.

Há muita conversa sobre a importância da saúde mental. Mas não passa disso. De conversa! 

A maior parte das famílias não tem dinheiro para garantir o apoio de quem pode efectivamente ajudar, sob pena de ter de deixar de comer. 

E assim se acaba no presente com o futuro.



Read More

Coisas que não me caem bem!

20 de novembro de 2025

 Desde sempre que este foi um espaço onde deixei transparecer a minha admiração por algumas pessoas conhecidas. O CR7 foi uma delas. A persistência, a resistência, a generosidade e a capacidade de trabalho, são  coisas que ele tem como poucas pessoas.

Mas como todas as pessoas, ele é único, e tem livre arbítrio para se dar com quem lhe aprouver.

Não me caíu bem que se desse às boas com o Trump, porque é um ser que desprezo profundamente, apesar de, se pensar bem no poder que tem, sinta também um certo medo.

Mas pior que a vista e a admiração parva do Cristiano  ao Trump, cai-me mal usarem essa visita para lhe tirar todo o mérito que tem. Já li opiniões em que o apelidam de tudo.

E caí-me ainda pior, utilizarem uma imagem tirada do contexto, para o apelidar de ignorante.

Eu vi a entrevista que ele deu e, na verdade, ele não disse que não lia, ele disse que não lia o que escreviam sobre ele e a família porque, normalmente, diziam coisas falsas e maldosas.

Tirar esta imagem para concluir que ele é ignorante porque não gosta de ler, é inqualificável e covardia.




Read More

Merecia um murro na mesa!

17 de novembro de 2025

 Se é verdade que a idade me tornou mais paciente e menos dada a emoções fortes, não menos verdade é que me tornou muito intolerante a certos tipos de comportamento.

Vi, há pouco, um debate entre dois candidatos à Presidência da República e acabei numa pilha de nervos. 

Um dos candidatos só grita, só fala alto, interrompe e destila agressividade e ódio por todo os lados.

Se tivesse sido eu a moderar o debate tinha dado um murro na mesa capaz de o fazer assustar.

Uma coisa é ser aguerrido, outra coisa é ser mal educado e tóxico!

Boa noite.

Read More

Não foi falta de tempo...

12 de novembro de 2025

Sempre adorei escrever. 
Os momentos de escrita tiveram sempre algo de libertador e pacificador. 
Pergunto-me, contudo, o porquê de ter deixado de o fazer.
Primeiro deixei de escrever e depois reduzi o tempo passado a ler.
Olhando para trás, pergunto-me: como, com duas filhas pequenas, uma profissão desgastante e ainda as coisas de casa, tinha eu  tempo para vir aqui contar peripécias e opinar sobre tudo e sobre coisa nenhuma?
Não foi por falta de tempo que reduzi a "verborreia", pois, com alguma pena minha, mas sobretudo orgulho de quem gosta da sua obra, as Minis tornaram-se umas crescidas, muito autónomas em termos da sua vida quotidiana e escolar, inclusive.
Penso que delonga entre os meus posts se ficou a dever a dois factores primordiais: preguiça e ausência da premência em ter uma visão (opinião) sobre o que quer que seja.
A preguiça é um pecado mortal, eu sei...mas já estou nos 50... Já me permito viver mais devagar...
Continuo a gostar de ler, mas, às vezes, venho do trabalho com tantas histórias de vida na cabeça (algumas macabras e outras mais felizes), que não tenho paciência para me envolver em mais enredos e problemas existenciais. Assim, deixo-me ficar a meditar sem pensar em nada.
Pouco a pouco vencerei a inércia.
Boa noite e boa quinta feira.




Read More