Preocupa-me!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015
Como mãe (e como mãe de uma traquina), preocupa-me imenso ler que, em Portugal, cada vez mais as crianças são medicadas com antipsicóticos anteriormente destinados a adultos. Há um crescente diagnóstico de Hiperactividade e com ele um aumento na prescrição de um medicamento como a ritalina.
Com isto temos crianças que parecem autênticos robots, sem vitalidade própria e absolutamente controladas. Há, na minha opinião, um exagero da classe médica e, por outro lado, uma falta de paciência de pais e professores que não querem "aturar" crianças mais rebeldes.
Uma das minhas filhas é uma criança muito vivaça e desafiadora. Sempre encarei a maneira de ser dela como isso mesmo, como forma de ser (que exige de mim mais firmeza na educação). No entanto, prefiro mil vezes que ela seja assim, que me moa o juízo diariamente com as 50.000 perguntas que me coloca, a ser uma criança sossegada à custa do uso de drogas.

11 comentários

  1. A mim também, honestamente! Acho, muito sinceramente, que a maioria das pessoas não sabe o que é realmente a hiperatividade e as implicações que traz... Não é apenas ser uma criança mais enérgica, é muito mais do que isso...

    Beijinho :)

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  2. Pois, a mim preocupa-me tudo isso também. Porque não deixar as crianças serem crianças? Se existem algumas crianças que são verdadeiramente hiperactivas, também há muitas que só consomem açúcar a mais e daí toda a "hiperactividade".
    Tu tens essa consciência com a tua filha, mas há pais que nem querem saber, querem é as crianças sossegadinhas.
    Beijinhos e boa semana (já viste o desafio, não foi?)

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  3. Por um lado a sociedade criminaliza a palmadinha e, ao mesmo tempo, despenaliza as drogas.
    Por outro lado temos uma cambada de... de coisos... que rotula todos os putos reguilas que aparecem no consultório, como hiperativos.
    E nem quero acreditar num outro lado mais negro, que é a eterna desconfiança sobre alguns médicos que ganham uma percentagem sobre cada caixa de medicamentos vendidos. Não quero fazer acusações para as quais não tenho fundamento, mas a verdade é que os farmacêuticos fazem um sorriso maldoso sempre que dizemos que o nosso médico não acredita na qualidade dos genéricos...

    A propósito da criminalização da palmadinha, conheço uma mãe que foi abordada por um fulano no estacionamento de um hipermercado, por ter dado uma palmada à filha que lhe fugiu para a frente de um carro enquanto ela, com as mãos ocupadas com os sacos de compras, tentava abrir a porta.
    Resultado: o aborto tirou a matrícula do carro e, passado uns tempos a rapariga foi a tribunal e o caso só não teve um desfecho mais grave, porque não havia nenhuma história de violência e a juíza, que era a favor da palmadinha, aconselhou-a a ter mais cuidado em público, porque o mundo está cheio de otários despeitados que nunca souberam o que é educar/criar um filho e não se importam nada de arranjar uma carrada de problemas a pais que, por detrás da palmadinha, têm mais amor e carinho para dar, do que os otários deste mundo algum dia imaginaram que existisse.

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  4. Olha este texto merece sem dúvida uma salva de palmas.
    As tuas palavras podiam ser minhas

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  5. Ainda não sou mãe mas a questão da hiperatividade é-me algo próxima. Tenho dois casos, completamente distintos onde os médico queriam fazer uma medicação muito semelhante.
    O filho de amigos da família é hiperativo. Dorme cerca de 4/5 horas por dia, não mais e é realmente um caso muito complexo. Por outro lado, o meu primo é uma criança cheia de energia, muito movimentado e criativo que não pára. Ora ambos foram consultados, em psicólogos distintos e infelizmente, ambos os psicólogos receitaram medicação parecida.
    Ora, eu bati o pé no caso do meu primo e depois de uma segunda avaliação, nada lhe foi receitado porque efetivamente não é doença, agora no caso do nosso amigo é realmente doença, que pode ser tratada não só com medicação mas sobretudo acompanhamento e terapia.

    É difícil vivermos num mundo onde o desejo geral é sedar os nossos sentimentos, principalmente quando falamos de crianças.

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  6. Hoje em dia, qualquer criança que seja mais activa ou inquieta é logo diagnosticada com hiperactividade...mais uma moda da nossa classe médica tradicional e vai de começar já a entupir as crianças com medicação que lhes faz mais mal do que bem...enfim... Mas a culpa não é só da classe médica, é de pais e professores, mas isso já são outros quinhentos...

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  7. Maria sempre no seu melhor.... desinquietas, super activas... etc..etc.. mas saudáveis e normais.

    beijinhos minha linda

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  8. Sou professora e esta questão da hiperatividade é-me familiar por questões profissionais. Na realidade,acho que há muitos casos de falsos diagnósticos. Tenho alunos a tomar medicação que na verdade são mesmo é mais enérgicos e quando são chamados à atenção com mais firmeza param. Uma criança hiperativa não consegue parar mesmo com esforço. só me lembro de um caso assim. Um aluno que quando entrava na sala de aula sem medicação deitava tudo abaixo por onde passava.Não conseguia mesmo evitar!Apenas a medicação lhe permitia estar atento e concentrado e isso era notório! De resto, tenho mesmo são crianças agitadas. Afinal, tanto tem o mundo para oferecer para além da escola!

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  9. Se tiveres interesse, há um capítulo num livro chamado Our Posthuman Future: Consequences of the Biotechnology Revolution (Francis Fukuyama), dedicado ao assunto. O que ele diz é, de forma simplificada, que as crianças pequenas (e especialmente os meninos) não foram apuradas pela evolução para estarem horas e horas sentadas a uma mesa, como é o hábito no sistema de ensino. Segundo ele, a maioria das crianças que é diagnosticada com hiperatividade é, afinal, uma criança saudável, pois é a capacidade para estar parado tantas horas que é de estranhar.

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  10. concordo completamente. as crianças já nem podem ser crianças tranquilamente e muitos pais seguem o que os médicos dizem sem sequer colocar em causa... é triste.

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  11. Eu não sou mãe, mas o que vou vendo por aí, são casos do tipo "a tua criança é muito irrequieta. Tens que a levar ao médico, deve ser hiperactiva". E de repente tudo é hiperactivo.

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