Todos lamentam o menino, todos os pensamentos da terra e até do país estão com ele. Não ponho em causa a necessidade de tal preocupação e de todo o acompanhamento.
Mas, confesso que a mim é o velhote que mais me causa tristeza.
O menino terá o Estado a zelar por ele, terá (infelizmente por este motivo), muitos técnicos que ajudarão e, acima de tudo, terá uma vida pela frente podendo fazer dela o que quiser dentro do possível.
O velhote não terá os apoios do menino e, sobretudo, não terá um futuro para tentar amainar a mágoa e a vergonha, não terá um futuro que lhe permita tirar o nó da garganta.
Só quem tem filhos consegue perceber que as facadas dos nossos filhos matam mais que as traições dos nossos pais (pelo menos eu sinto assim)
Da vida e da falta de atenção
Há 2 minutos







Totalmente de acordo contigo! Embora, infelizmente, cedo fiquei sem Pais e Sogros. Mas tenho muita pena dos idosos. Aliás, já ando a ficar com pena de um dia poder deixar os meus filhos e os netos. Atormenta-me! :(
ResponderEliminarAlienados Desejos... [Poetizando e Encantando]
Beijos - Boa noite!
Um texto muito pertinente uma realidade dolorosa,
ResponderEliminarAbraço e boa semana
É devastador perceber que o tempo avança, mas que os serviços de apoio a idosos continuam tão deficitários
ResponderEliminarMuito verdade infelizmente!!
ResponderEliminarUma pessoa sofre por quem nem conhece. Poça.
ResponderEliminarNão sei de que se trata.
ResponderEliminarMas se é do abandono dos mais velhos só tenho uma palavra - REVOLTA!
Mau...
ResponderEliminarCheguei a Portugal mais ou menos nesta altura pelo que desconheço o tema a que se refere, e sem intro fica difícil. Menino e idoso...
Porém concordo com a sua última afirmação. Sem poder dizê-lo por experiência própria posso dizer que é a impressão que tenho, por ter visto no rosto do meu avô a decepção ao descobrir, numa ocasião, que toda a família lhe havia mentido e enganado - todos os filhos lhe ocultaram uma realidade para a qual ele tinha o direito de dar a sua opinião e ter a decisão com mais peso. Eu VI esse sentimento. E lamentei que, indirectamente, por omissão e silêncio, mesmo censurando e não concordando com a decisão tomada pela maioria, por omissão permiti que meu avô fosse enganado e nada lhe disse. Inconscientemente evitava estar com ele porque esse segredo que só eu sabia estava entre nós. E não gostando de o enganar e não concordando com que fosse enganado, sem sermos diretamente responsáveis acabamos metidos numa mentira. Se não concordamos com ela - e eu não concordava, devia eu ter contado? Talvez devesse. Vê-lo a ser enganado revoltava-me as entranhas, mas não queria intervir já que eu era parte passiva e observadora da decisão dos filhos.
Mas eu VI e sei o quanto, no final da sua vida, isso lhe doeu mais que se tivesse sofrido uma navalhada.