14 de maio de 2019

Não podemos por tudo no mesmo saco...

Não podemos por tudo no mesmo saco, ou seja, é perigoso generalizar.
Senti necessidade de escrever este post, não porque precise de me justificar, mas por uma questão de justiça por todos aqueles que vivem ou sentem as coisas como eu.
Li ontem, republicado por uma amiga, um texto de alguém que, de certa forma, faz um crítica negativa aos peregrinos de Fátima, e àquilo em que Fátima se tornou.
Não discordo totalmente, mas não se pode meter tudo no mesmo saco. As generalizações são perigosas e podem levar a atitudes preconceituosas.
Aceito que haja pessoas que, por alturas do 13 de Maio, vão a Fátima a pé a bater com a mão no peito e com os pés esfolados e que, durante o ano, nem se lembrem da Virgem de Fátima, ou, pior ainda, não se preocupem com o ser humano com quem se cruzam no dia a dia.
Acredito (e conheço) que haja pessoas que vivam a mensagem de Fátima sem nunca lá porem os pés.
No entanto, eu que já fui várias vezes a Fátima a pé, embora num percurso não muito grande - pouco mais da centena de quilómetros - devo dizer que é sempre das experiências mais fantásticas que tenho no ano.
Das vezes que fui, nunca rezei, pelo caminho, nenhum pai nosso ou avé maria e, no entanto, todo o caminho foi um oração de humanidade, pela partilha, pela solidariedade, pela alegria de estar junto de pessoas que, apesar de não me conhecerem partilharam tudo o que tinham comigo.
Depois, porque das vezes que fui, não posso dizer que fui cumprir a minha parte do "negócio" como lhe chamam do "tu dás-me isto e eu vou a Fátima a pé". Não digo que, em situações de muita aflição, já não tenha feito esta ou aquela promessa. Mas quando as cumpro, não cumpro como quem vai pagar uma dívida. Cumpro em agradecimento. Porque sei que se não pagar, não me vão executar nenhum bem, porque sei que nada de mal me acontece. O meu Deus, o Deus em que acredito, não é vingativo e nada espera. Basta-lhe o meu coração alegre e grato.
Sou uma pessoa grata e a minha gratidão não é um estado passageiro ou fruto de alguma moda. Somos tentados a achar que agora a gratidão é um chavão porque aparece em todo o lado. No meu caso é um estado que resultou de uma vida feita com alguns percalços, alguns deles bastante turbulentos e assustadores, que sempre consegui superar.
Quando olho para trás e vejo todos os caminhos que percorri, todos os tombos que dei, não posso senão sorrir, seguir em frente, e agradecer por nunca me ter faltado a coragem e a vontade de superar.
Quando penso nos meus quase 46 anos de vida não sinto obrigação de ir a Fátima ou a Santiago a pé ou de carro. Se tenho vontade? Tenho!






8 comentários:

  1. É inquestionável a tendência para se fazer críticas negativas quando se discorda da atitude, do comportamento, da fé das outras pessoas.
    Fátima tornou-se num grande negócio. Bradam aos ventos! Acredito que seja. A intenção e a fé das pessoas – qualquer que seja a forma como a demonstram – não deve ser o “negócio” (business, como se diz em inglês ; )) de ninguém.
    E quem sabe se os peregrinos que andam de joelhos não o farão na privacidade do seu lar nos outros meses do ano, ou se não pagam promessas de outra forma.
    Os mal-dizentes não têm mais nada que fazer?! : ))

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  2. Confundir a beira da estrada com a Estrada da Beira sempre foi uma tentação.
    Tão perigosa quanto estúpida.

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  3. Concordo consigo, não se podem julgar todas as pessoas, pelas atitudes de algumas.
    Cada um vive a fé à sua maneira.
    Sou devota, mas nunca fui a Fátima a pé. No entanto, agradeço diariamente todas as bênçãos da minha vida.
    Beijinhos e boa 4ª feira!

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  4. Gostei do teu texto. Nunca fui a pé a Fátima, mas não quer dizer nada.

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  5. Acho que a fé é algo indiscutível... ou se tem ou não se tem! Não há meio termo e portanto é muito difícil estes dois mundos opostos entrarem em acordo. Como você diz, nem sempre se trata de religião, trata-se de partilha humana! Eu arrepio-me sempre que vou a Fátima! e adoraria fazer o percurso a pé, só para poder viver essa sensação de partilha intensa que muitos testemunham.
    Um beijinho

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  6. Se calhar leste onde li também...E penso que me referi lá mais às coisas que são muito caras.Penso que foi aí.

    Nunca fui a Fátima a pé! Porque entendo que nunca conseguiria lá chegar. Vou de carro quando nos apetece. Sou católica não praticante, no entanto faço questão que a Bia vá sempre porque ela adora ! A fé é como tudo, cada um tem a sua! Não tenho nada contra os Peregrinos muito pelo contrário, louvo-lhes a coragem.
    Não obstante, tudo tem um limite. Há cerca de 4 anos fui lá e andava uma criança com uns 6 anos de joelhos no tapete a criança toda esfolada.Chorava... A Mãe, ou alguém da família a caminhar ao lado dela! Caiu-me tão, mas tão mal que fiquei revoltada. Como eu, muita gente esta boquiaberta. Não eram Portugueses, de qualquer forma não sei se acho "justo" submeter uma criança a cumprir uma promessa assim!

    Mas, uma coisa é certa, sinto-me Lá muito bem e em paz comigo mesma. Claro tenho as minhas orações minhas e só minhas e por isso vou Lá agradecer pela vida que me vai proporcionando...

    Beijinhos de boa noite

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  7. Nunca fui a Fátima a pé, mas conheço várias pessoas que o fazem todos os anos. Tenho um professor que vai todos os anos com a mulher desde há cinquenta anos. Não sei se o faz por ser parte de alguma promessa ou simplesmente porque se sente bem ao fazê-lo. Nunca lho perguntei penso que não tenho nada com isso. Também sei que há muita gente como diz, mas nunca escrevi sobre isso porque as ações são de quem as pratica, e elas darão conta delas mais cedo ou mais tarde, porque acredito que sempre pagamos a fatura daquilo que fazemos.
    Abraço

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  8. Moro demasiado perto para que ir a Fátima seja uma promessa que implique sacrifício, mas vou muitas vezes a pé e de carro, agradecendo o que a minha vida me deu e dá e indo buscar energia àquele local mágico.
    Cada um sabe de si e Deus de todos

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