De como se pode ser triste apesar de feliz e de como cada um é como é!

Tenho estado menos dada à escrita. Não porque esteja adormecida ou porque tenha mais afazeres diários que o costume. Apenas porque tenho andado mais introspectiva. A sentir mais e a retirar algumas lições do acontecimento que marcou as nossas vidas nos últimos tempos: a morte de uma pessoa que eu amava e amo profundamente.
Uma das conclusões a que cheguei é que os estados de tristeza profunda fazem parte da vida e que mesmo considerando-me uma pessoa feliz e grata pela vida que tenho, não consigo deixar de ter momentos em que a tristeza e a saudade (ah palavra tão nossa!) tomam conta de mim, e mesmo assim continuo a sentir que a minha vida é uma vida muito bem vivida.
Outra é que nunca podemos pensar que percebemos o que os outros estão a sentir sem passarmos pela mesma situação e, mesmo assim, há sempre nuances que fazem de cada pessoa um mundo único. Toda a vida achei que como mulher de fé que sou lidaria relativamente bem com a morte e, de facto, percebo que nunca estamos preparados, tenha a pessoa 90 ou 100 anos, desde que a amemos profundamente, fica um vazio incomensurável.
Toda a vida tive discussões com a minha mãe, por ela defender o luto traduzido em determinados comportamentos, como por exemplo a roupa que se veste ou o recato. Sempre defendi que isso é mais uma questão da forma como a pessoa é educada ou quer mostrar-se socialmente que uma forma de transmitir o seu pesar. O que é certo, é que quase dois meses após "a morte", e eu não tenho disposição para vestir determinadas cores. É mesmo uma questão de sentimento. Não social. Cada um sente as coisas e o luto pode mesmo transmitir o que sentimos. Mas não significa que tenha de ser... Nunca pensei que no meu caso fosse assim!

8 comentários

  1. Compreendo-a. Cada de de nós é um mundo.
    Abraço

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  2. As cores com que nos vestimos transmitem o estado em que está a nossa alma. Fazemo lo inconscientemente.

    É natural que, se andas triste, isso se reflicta na forma como te apresentas e nos lugares onde qyetes estar e até com quem queiras estar...

    Que as boas recordações amenizem essas dores e tristezas, é o que te desejo.

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  3. Sentidos pêsames pela sua perda.
    Faça o SEU luto.

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  4. Como compreendo o que escreves...
    O luto cada vive-o à sua maneira. Nunca fiz luto até à morte do meu avô. A seguir a isso fui invadida de uma tristeza tamanha, foi difícil... uns anos depois já era mãe quando a minha mãe morreu, demorei três anos a deixar cair o luto, isso aconteceu quando fiquei grávida da minha filha. Nos dia de hoje uso algumas cores como o vermelho mas de forma contida... é um luto que andará sempre comigo!!

    Os meus sentimentos pela tua perda!

    Beijos e abraços
    Sandra C.
    bluestrass.blogspot.com

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  5. Já falámos sobre isto e já sabes o que penso sobre o luto. Não obstante, compreendo-te profundamente, porque já passei pelo luto da minha Mãe que partiu faz este mês 26 e ainda hoje dó a saudade. Ela com 53. Desde inicio não vesti luto. (Já tínhamos falado disso ) Logo fiquei com o à vontade para vestir quase normal. Claramente que nem flores nem vermelhos. Mas cores sem ser preto.
    Essa dor pode levar anos a atenuar, porque nunca passa totalmente. Sei que és feliz. Sei que és sincera. Sei o quanto lutas para que todos à tua volta estejam felizes. Sei! Sei o quanto me fazes falta. As tristezas fazem parte das reflexões! FORÇA...
    -
    Cansada de estar cansada...
    Beijo e uma excelente tarde!



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  6. Uma grande verdade. Cada um sofre as dores como as sente e nem todos as sentem do mesmo modo.
    Abraço

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  7. Olá , estou acompanhando este site e estou adorando seus artigos são muito bons mesmo parabéns.
    Preço da mega da virada

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  8. Olá Maria!
    Compreendo o que diz, cada pessoa é uma pessoa e o importante é respeitarmos!
    Eu vivo no meio pequeno e há 13 anos atrás o meu marido partiu devido a uma queda de um telhado!
    Eu tinha 29 anos e a minha filha 2 anos, para mim foi um choque, uma dor imensa.
    Era muito difícil levantar da cama de manhã, eu só fazia isso pela minha filha, para cuidar dela. Aqui a sociedade obriga ao luto, a vestir preto e isso tem as suas regras: um marido é para a vida toda, um pai ou uma mãe é durante um ano, um cunhado ou tio, 6 meses, um filho, se for solteiro é 1 ano, se for casado 6 meses! Como se o filho não fosse o mesmo!! Sempre achei isto tão estúpido, estabelecer regras de luto às pessoas, casa uma sabe o que lhe vai na alma!
    Eu falo por mim, fiquei num estado lastimável e quem convive comigo sabe disso, já era muito difícil acordar e ter de encarar a vida, abrir uma gaveta e só ver roupa preta, vestir preto, deixava-me pior, angustiava-me, revoltava-me a minha viuvez precoce. Eu não precisava que a sociedade apontasse-me o dedo! Eu precisava de força, de me erguer, tinha uma filha que precisava de mim, ela já tinha perdido o pai, agora precisava de uma mãe forte, segura e que lhe transmitisse alegria, a roupa preta não me ajudava a recuperar, por isso apenas tive um mês totalmente de preto e um a misturar preto, cinza, roxo e voltei ao normal! A minha dor deu-me foi para ficar um ano sem me maquilhar e usar qualquer acessório de bijutaria, pois tinha perdido a vontade de me enfeitar, ficar bonita.
    Apenas um ano antes, eu tinha perdido o meu pai, que partiu com 49 anos, também de forma repentina! Foi muito complicado, só com o tempo nos habituamos a viver com a ausência daqueles que amamos!
    Compreendo-a muita bem Maria e desejo que fique bem!
    Beijinhos

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