Se calhar estou errada...

Tenho duas filhas que nasceram e têm crescido absolutamente diferentes em termos físicos e em termos de maneira de ser e estar. 
Uma loura de olhos azuis, outra morena de olhos escuros. 
Uma absolutamente dócil e obediente e outra completamente rebelde. Penso que já aqui o escrevi. Confesso que não sei de qual das formas ser me agradava mais. Apesar de rebelde, sempre foi muito mais fácil para mim convencer a mais nova. Isto, até há uns meses. Altura que coincidiu com a ida da mais velha para o 5º ano e com a entrada de ambas para a catequese.
Se a escola dos grandes (sim, porque tem do 5º ao 12º ano) tornou a mais velha mais respondona, a catequese tornou a mais nova numa criança muito mais sossegada, menos impulsiva.
No entanto, tanto em relação a uma como a outra, embora admita que não goste de ouvir falar coisas negativas a respeito delas, sou muito desconfiada. E, quando alguém me relata um comportamento menos próprio, por muito que elas me neguem, faço-as passar "as passas do Algarve" até descobrir a verdade. Não sei se estou errada, mas nunca assumo perante terceiros que acho a minha filha incapaz disto ou daquilo porque, na verdade, embora lhes tente transmitir os melhores valores que sei, nada me garante que, fora da minha alçada e da do pai não tenham comportamentos impróprios.
E custa-me. Mais do que não pôr, sem mais, as mãos no fogo pelas minhas filhas, custa-me ver mães e pais, a defenderem cegamente os filhos, sobretudo, quando são miúdos reconhecidamente problemáticos ou quando eu mesma já assisti a situações terríveis em que estiveram envolvidos.
Estou aqui para proteger as minhas filhas, mas não as posso proteger a todo custo, sob pena de criar duas delinquentes...


7 comentários

  1. Muito bem! Subscrevo.


    Ana Teles {Telita} | blog: Telita LifeStyleFacebookinstagrambloglovin'

    • novo grupo para divulgação de blogs:
    blogs Lifestyle Portugal/

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  2. Mães assim, como tu, valem por mil!
    Ao trabalhar com crianças, deparo-me, muitas vezes, com situações em que os pais parecem não estar a falar dos mesmos miúdos que eu conheço e lido todos os dias.
    De uma coisa sei: os miúdos acabam por sofrer a influência do que está em seu redor, nomeadamente dos amigos, mas isso nem sempre é fácil que os pais reconheçam.

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  3. Tens toda a razão. Adoro as minhas filhas mas não sou cega, reconheço-lhes qualidade e defeitos e sei bem que sozinhas dificilmente fazem um disparate mas juntas ou com outras amigas não ponho as mãos no fogo.
    Beijinho

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  4. Costuma-se dizer que no melhor pano cai a nódoa e também não entendo aqueles pais que acham que os seus filhos jamais serão como os outros... são crianças e são capazes de errar tal como as outras. Acho que a tua atitude é meio para as conseguires orientar para o bem.

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  5. Estás certíssima! A minha mãe também sempre foi assim. Ela dizia-me muitas vezes "sei bem que não és diferente dos outros e que podes lembrar-te de fazer certas coisas". Por acaso sempre tive juízo mas podia não ter tido!

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  6. Penso que a abordagem tem de ser mesmo essa. :)

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  7. Concordo com essa postura. Não compreendo os pais que ficam cegos em relação aos filhos e que, aos olhos deles, são criaturas angelicais e absolutamente incapazes de fazer uma asneira, de se portarem mal ou responder mal seja a quem for. Esse deve ser um dos obstáculos mais difíceis de ultrapassar pelos professores na relação com os pais dos alunos. Torna-se impossível falar com esses pais e convencê-los das más atitudes dos filhos. E o que acontece é que os miúdos apanham isso tudo e continuam a agir da mesma forma, por causa dessa atitude dos pais.

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