domingo, 15 de maio de 2016

Boa pergunta!!!

Francisco falava perante dezenas de milhares de pessoas, debaixo de chuva, naquilo a que se chama uma audiência jubilar, cerimónia que se realiza um sábado por mês, e alertou que não se deve confundir a piedade com a comiseração hipócrita.
E perguntou: "Quantas vezes vemos pessoas que cuidam de gatos e cães e depois deixam sem ajuda o vizinho que passa fome?"
"Não se pode confundir com a compaixão pelos animais, que exagera no interesse para com eles, enquanto fica indiferente perante o sofrimento do próximo", acrescentou.
Não dúvido sequer que os animais têm sentimentos. Sou acérrima defensora de que os mesmos passem a deixar de ser tratados como coisas pela nossa lei. Os meus fazem parte da minha família. Mas, depois de ter ouvido dizer que cantar ou ensinar às crianças o "atirei o pau ao gato" é incitar aos maus tratos a animais, pergunto-me se não viveremos todos numa espécie de histeria colectiva, esquecendo-nos um bocadinho de algumas coisas também importantes...


17 comentários:

  1. Pode fazer-se as duas coisas na mesma medida, na minha opinião. Mas isto é um assunto que daria pano para mangas.

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  2. A música "Atirei o pau ao gato" é violenta, sim. Troca "gato" por "preto" ou "judeu" e verás que é. O que eu acho é que estamos, enquanto sociedade, a acordar. Não estamos a ficar histéricos e a imaginar violência contra os animais está em todo o lado, estamos a ver que ela de facto ESTÁ em todo o lado (tal como o sexismo está em todo o lado). Saber que, por exemplo, a tradição de o pai da noiva conduzi-la ao altar constitui um símbolo do patriarcado não faz de mim histérica, faz de mim uma pessoa observadora. O mesmo com os direitos dos animais.

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    1. Respeito a tua opinião. Cada um tem a sua. Desde que nos respeitemos mutuamente...o que é certo é que a música é uma música infatil desprovida de qualquer maldade...a maldade está na cabeça das pessoas. Foi uma das primeiras músicas que aprendi, ensinei às minhas filhas e, para que conste, sou completamente apaixonada por gatos. Desde que me lembro que tenho um felino no meu lar...Nunca lhe atirei um pau ou o que quer que fosse...Ah e foi o meu pai, pessoa que adoro, que me levou ao altar, não acho nada que isso seja um símbolo machista ou o que quer que seja. Tudo vai da forma como encaramos as coisas...do que nos passa pela cabeça...nunca senti a minha feminilidade posta em causa por o meu pai meter levado ao altar quando fui eu que escolhi que assim fosse...ao meu marido foi a mãe, será um sinal de matriarcado?

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    2. Maria, desculpa mas a maldade não está na cabeça das pessoas. Repito, se a letra fosse "atirei o pau ao preto", continuarias a achar o mesmo? Acho essa insinuação muito feia, de verdade. É muito como aquela de enfiar a carapuça: uma pessoa passa a vida a mandar boquinhas a outra, mas quando esta percebe que a primeira tem um problema com ela, é acusada de "enfiar a carapuça", só por ter tido o discernimento para compreender o que se estava a passar. Não faz sentido.

      Ambas as coisas referidas - a música e o ato de a noiva ser conduzida ao altar pelo pai - são simbólicas, mas revelam muito da nossa mentalidade enquanto sociedade. Que a letra da música é violenta, é indiscutível - caramba, basta lê-la: "atirei o pau ao gato, mas o gato não morreu". Que a tradição de conduzir a noiva ao altar denota uma cultura patriarcal, é igualmente indiscutível: a mulher é entregue por um homem a outro homem. Sabes de onde vem a tradição de usar o véu na caminhada até ao altar? Porque a mulher está num estado de "vulnerabilidade", encontrando-se na passagem da proteção de um homem -o pai- para a de outro homem - o marido. Há diversos exemplos assim na tradição matrimonial ocidental (porque a nossa sociedade é de tradição patriarcal). Sei-o porque estudei simbolismo. Obviamente que hoje é apenas tradição com pouco significado: se casar não o farei mas não acho que uma mulher que o faça esteja subjugada ao machismo, tal como não acho que uma criança a quem seja ensinada essa música seja automaticamente uma abusadora de animais em potência. Daí ter dito que são instâncias SIMBÓLICAS. Mas o simbolismo tem mais peso do que se pensa nas nossas estruturas culturais.

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    3. Mas insisto na minha pergunta: aos homens quem os leva ao altar são as mães...isto é o quê?

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    4. Maria: Se estou recordada, a cerimónia de casamento tradicional cristã começa com uma marcha da noiva até ao altar, acompanhada pelo pai. O noivo já lá está. Não há música para o noivo entrar na igreja nem se levantam todos os presentes, penso. Que eu saiba, não faz parte da cerimónia de casamento tradicional a condução do noivo ao altar pela mãe nestes parâmetros. Hoje em dia, há quem faça opções diferentes: ambos os pais levam a noiva, ambos os pais de ambos os noivos conduzem-nos (à semelhança das cerimónias judaicas) os noivos entram juntos, a mãe conduz a noiva ou o noivo, a noiva entra sozinha, etc. Isto é o quê, perguntas? São as pessoas que, cada uma pelas suas razões, escolhem escapar ao molde tradicional. Eu entraria sozinha ou com o meu futuro marido porque não me faz sentido entrar com o meu pai, o teu marido entrou com a mãe provavelmente porque queria partilhar esse momento com ela. Em contraponto, as mulheres SEMPRE entraram com os pais porque, enquanto mulheres, estavam sob a tutela do patriarca da casa. Mas como disse no outro comentário, o facto de ser uma tradição nascida de uma cultura patriarcal não significa que uma mulher seja anti-feminista se escolher que o pai a leve até ao altar. Eu expliquei o significado de uma tradição, não fiz julgamentos em relação a quem a escolha seguir no presente. Como se costuma dizer, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa :)


      or isso hoje em dia () A tua pergunta sobre se

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    5. Como católica que sou, já com 42 anos, sempre me lembro da cerimónia começar com a entrada do noivo, levado ao altar pela sua mãe...só se na minha santa terrinha era diferente...mas já o vi fazer em outras terras. Mas não vale a pena discutir o sexo dos anjos minha querida Nádia, temos perspectivas diferentes das coisas. Respeito a tua.

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    6. https://www.casamentos.pt/artigos/estrutura-da-cerimonia-catolica--c4621

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    7. Ups, aquela última frase desconstruída foi um rascunho que me esqueci de apagar :)

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    8. Se assim é para as cerimónias católicas, fico contente (e até surpreendida). Lembro-te, no entanto, que a mãe do noivo não o entrega a ninguém, e a noiva é explicitamente entregue ao futuro marido. Lá acima referi também a questão do véu. Convido-te a ler estes artigos:

      http://www.lovemydress.net/blog/2015/08/why-weddings-are-fundamentally-sexist-and-what-we-can-do-to-change-them.html

      http://simplystatedconsulting.com/2014/02/11/4-signs-that-your-wedding-ceremony-is-sexist/

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  3. É tudo uma questão de perspectiva... Quem é bom intrínsecamente, tanto ajuda um humano, como um animal. Acho bem mais grave um caso que conheci de perto, de uma filha que contra a vontade da mãe a enfiou num lar ( para lhe vender a casa) e depois passava os dias a fazer voluntariado no Hospital. De salientar que a dita senhora era aposentada, mas muito bem vista socialmente, mas levou a mãe a uma morte precoce.

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  4. Post muito sensível, no qual te dou razão.

    Beijo
    http://coisasdeumavida172.blogspot.pt/

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  5. Se fossemos a ver tudo pelo simbolismo das coisas realmente a minha geração (80) já se teria perdido há muito, com os exemplos que tivemos desde a infância!!

    O único mal que eu vejo hoje em dia é pura e simplesmente a falta de valores morais!! Não há respeito por nada nem ninguém, não há humildade, não há generosidade nem bondade, não há responsabilidade, não há honestidade...
    Assim sendo é difícil as pessoas terem noção do que realmente é importante! Concordo plenamente com as palavras do Papa Francisco.

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  6. E tomara que se mantenha como sempre foi!
    Com a inocência de sempre, a ausência de maldade, o espírito de diversão!!

    Não se pode levar as coisas muito a sério. Eu fico escandalizada com estes RADICALISMOS.
    Porque todos começam com pequenas coisas assim. É só olhar para os Estados Unidos da América e ver a quantidade de conflitos que aumentam por lá. Uma sociedade em que não se pode dizer "preto" (a menos que a cor da pele o permita) e impôs o "Afro-americano"/"latino-americano"/"nativo-americano" erradicando à força do "politicamente correto" a SIMPLES noção de etnia que as crianças aprendem na escola. Tornando tudo tabu, tudo alvo de conflitos sociais.

    Tiraram a inocência a tudo e a tudo conotaram malícia. Cada vez a sociedade americana mas não só está MAIS DIVIDIDA. O multiculturalismo falhou. E tudo começou quando as "Rosas Parks" deixaram de querer andar num autocarro, sentadas como qualquer outra pessoa, em igualdade, e essa tal igualdade passou a ser novamente diferenciação.

    Com a imposição da tal comiseração mencionada num post acima...

    E começa assim. Com proibições para com a inocência de uma letra infantil. Depois para as proibições para palavras inocentes aprendidas na escola a respeito das diferentes etnias. E vira uma bola de neve. O desastre pode ser devastador, radicalismo extremo, de pessoas cada vez mais divididas e em guerra. Proibir o "atirei o pau ao gato" é condenar o mundo a ter cada vez mais pessoas a procurar refugio da intolerância e do extremismo.

    Não se pode levar as coisas tão a sério!!
    É preciso manter o espírito de brincadeira.
    É preciso olhar para as crianças e re-aprender com elas.

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  7. Bem isto é um bocado um assunto controverso...
    Acho que tem que ser tudo com conta, peso e medida.
    Também sou a favor dos animais deixarem de ser coisas... Mas pessoas são pessoas.

    Beijocas

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  8. Levando a letra da música muito a sério, realmente não é muito abonatória para os pobres dos gatos. Mas ela foi criada apenas para entretenimento dos mais pequenos, sempre a ouvi e não foi por isso que andei a espancar gatos, pelo contrário, adoro-os. Agora se as novas gerações são mais literais é que não sei ... :)

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  9. Acho que se cai, muitas vezes, em exageros totalmente desnecessários...

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