Sempre fui uma pessoa solidária. No tempo e no dinheiro. Sempre dei e me senti bem com isso.
Com os anos, comecei a ter tempo só para alguns, embora com um leque abrangente de pessoas que leva a que a minha família próxima, por vezes reclame por eu ser a consoladora dos aflitos.
Ultimamente tenho dinheiro para poucos, muito poucos, excepções, talvez! Hoje de manhã, no café do costume, um jovem vendia calendários para apoiar crianças desfavorecidas. Em outros tempos, faria uma análise sumária (se bem que falível) dos aspectos que me levassem a concluir, ou não, pela veracidade do pedido e, caso me parecesse minimamente sério contribuiria. Hoje, não fui capaz e, como eu, mais umas quatro ou cinco pessoas que dividiam o balcão comigo. Por muito que o jovem pudesse parecer credível, apoderou-se de mim a desconfiança de que estaria a agir em proveito próprio. Depois de umas quantas reportagens sobre o real destino dos cinco euros com que tantas vezes contribuímos para ajudar esta e aquela causa a troco de um boneco, de um porta-chaves ou de outra bugiganga qualquer, raramente dou o que quer que seja nestas situações. Não que me tenha tornado insensível às causas, mas porque duvido sempre sobre o fim por detrás do pedido.
Acabei de ler sobre suspeitas de peculato e abuso de poder na Fundação "O Século", fundação que faz um trabalho excelente com miúdos e graúdos. Depois dos escândalos da "Raríssimas" e o anterior da "Cáritas", já não sei em quem acreditar. Já poucos me parecem sérios...a mim e ao comum dos cidadãos! Paga o justo pelo pecador!





